
Cartografia n'alma
Sinto-me livre quando escrevo. Permito-me viajar.
É como se cada folha se tornasse um grande "mapa múndi". Onde cada letra, cada acento, cada ponto, fosse um ponto de uma cidade a se explorar.
Por alguns segundos fecho os olhos e sobrevôo cada cantinho. Sendo escuro ou claro, estando cheio ou vazio, vou lá conferir com prazer cada palavra, traço ou vírgula desse caminho. São diferentes as latitudes e longitudes; as linhas imaginárias são as minhas preferidas. Também há lugares de histórias tão absurdas, mas tão reais, que merecem ser escritas.
E assim, vou planando pelo vento das palavras. Tentando saciar essa íntima vontade de cartografar algumas histórias, que só existem em mim e que às vezes imploram atenção. Querem ser vistas, encontradas, descobertas..."-Contos à vista!!!"
Sigo, então, desbravando o meu inconsciente. Descobrindo em mim, terras antes jamais vistas. Respeitando cada palavra nativo-amigas que encontro por lá.
Abraçando com carinho as pequenas mutiladas.
Sei que cada uma se faz entender a seu modo, cada uma tem sua razão de ser.
Por isso, as transcrevo assim como vêm, "tá". Dá um charme especial ao mapa. Uma liberdade a mais ao vôo.
Cartografia é arte que do mar vem. Mas escrever é pra quem tem um infinito, como o mar, na alma.
Adriana Kairos
