"Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconscientes, eu antes não sabia que sabia."
Clarice Lispector
“Com uma voz sem som
descobri nas letras o grito
que fala do que vê o coração
e do que sente os olhos
ante a injustiça, o preconceito,
a desigualdade e o medo.”
Adriana Kairos
sábado, 28 de novembro de 2009
Canción para un niño en la calle

Canción para un niño en la calle
Mercedes Sosa con Calle 13
(Armando Tejada Gómez - Ángel Ritro)
A esta hora exactamente,
Hay un niño en la calle...
¡Hay un niño en la calle!
Es honra de los hombres proteger lo que crece,
Cuidar que no haya infancia dispersa por las calles,
Evitar que naufrague su corazón de barco,
Su increíble aventura de pan y chocolate
Poniéndole una estrella en el sitio del hambre.
De otro modo es inútil, de otro modo es absurdo
Ensayar en la tierra la alegría y el canto,
Porque de nada vale si hay un niño en la calle.
Todo los tóxicos de mi país
A mí me entran por la nariz
Lavo autos, limpio zapatos
Huelo pega y también huelo paco
Robo billeteras pero soy buena gente
Soy una sonrisa sin dientes
Lluvia sin techo, uña con tierra
Soy lo que sobro de la guerra
Un estómago vacío
Soy un golpe en la rodilla que se cura con el frío
El mejor guía turístico del arrabal
Por tres pesos te paseo por la capital
No necesito visa pa’ volar por el redondel
Porque yo juego con aviones de papel
Arroz con piedra, fango con vino
Y lo que me falta… me lo imagino
No debe andar el mundo con el amor descalzo
Enarbolando un diario como un ala en la mano
Trepándose a los trenes, canjeándonos la risa,
Golpeándonos el pecho con un ala cansada.
No debe andar la vida, recién nacida, a precio,
La niñez arriesgada a una estrecha ganancia
Porque entonces las manos son inútiles fardos
Y el corazón, apenas, una mala palabra.
Cuando cae la noche duermo despierto
Un ojo cerrado y el otro abierto
Por si los tigres me escupen un balazo
Mi vida es como un circo pero sin payasos
Voy caminando por la zanja
Haciendo malabares con cinco naranjas
Pidiendo plata a todos los que pueda
En una bicicleta de una sola rueda
Soy oxígeno para este continente
Soy lo que descuido el Presidente
No te asustes si tengo mal aliento
O si me ves sin camisa
Con las tetillas al viento
Yo soy un elemento más del paisaje
Los residuos de la calle son mi camuflaje
Como algo que existe, que parece de mentira
Algo sin vida, pero que respira
Pobre del que ha olvidado que hay un niño en la calle,
Que hay millones de niños que viven en la calle
Y multitud de niños que crecen en la calle.
Yo los veo apretando su corazón pequeño,
Mirándonos a todas con fábula en los ojos.
Un relámpago trunco les cruza la mirada,
Porque nadie protege esa vida que crece
Y el amor se ha perdido, como un niño en la calle.
A esta hora exactamente,
Hay un niño en la calle...
¡Hay un niño en la calle!
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009
No telhado

No telhado
Minha boca
Vinha louca
Miando coisas
Que só os teus ouvidos
Podem ouvir
Minha boca
Deseja
Não pouca...
O que vela a roupa...
Falo à boca minha.
Adriana Kairos
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Lançamento do livro CLARABÓIA no Centro Cultural Euclides da Cunha (07/11/09) - Cocotá - Ilha
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Alento

Alento
Preciso dormir
Para que com meus dedos
Toque a lua
E nela me esconder
Preciso dormir
Antes que amanheça
Antes que reverdeça
A impiedade dos que não me vêm
O dia tem me feito mal
O sol não se mostrou meu amigo
A injustiça invade meus olhos
No claro do dia
E na escuridão da noite também
A fome me atormenta
A qualquer hora do dia
O sol enegrece os olhos dos que passam...
Ninguém me vê...
Preciso dormir
Não sei se é inverno ou verão
Mas o frio das pessoas me congela
Minha boca muda pede pão
Meus olhos gritam por compaixão
E ninguém me vê.
Preciso de um cobertor esta noite
Procurei por um em toda parte
No entanto, para a indiferença
Não existe abrigo
Todos se tornam inimigos
Nessa pirâmide que nem aos pés cheguei
Preciso dormir
Porque neste instante
Nada mais me resta
Meu estômago pede o sono
E a mágica do sonhar
Com um mais justo
Amanhecer
Com um mais justo
Mais que imaginar
Adriana Kairos
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009
O diário

O diário
Virou mais uma página e assim seguiu, durante toda a sua vida, a virar outras mais. Como se esse movimento estúpido lhe trouxesse algum conforto. Como se esse ato, por desespero ou por encanto, lhe trouxesse um novo recomeçar. Abrir o livro. Lamber a ponta do dedo. Folhear, folhear, escrever, escrever, rasurar, e tornar a folhear. Labuta ou medo de voar? Estava tudo lá caprichosamente escrito à caneta tinteiro, minuciosamente anotado nas folhas cheirosas do seu diário.
Pouco sabia de si mesma, menos ainda do mundo ou de qualquer outra coisa. Só sabia do que ali estava. “Só sei que nada sei”. Sócrates, o mestre, ela declamava. O pouco que conhecia era do virar, pelo avesso, as páginas do seu inseparável diário. Páginas que antes deixara para trás, não muito distante, num momento, agora se tornavam norte, um guia. Seu Xamã de papel. Quando o medo, a tristeza ou a dúvida se lhes infundiam. Dessa forma redescobria vidas, vividas e sentidas, marcadas a cada página do seu “caderno de contar os dias”. Embora, por vezes, acreditar que poderia ter escrito melhor algumas delas, isso não a prendia a essa ou qualquer outra pouca ilusão, tão somente virava as páginas. Só alimentando a ilusão suprema de ser invulnerável enquanto folheia.
Certa vez, virou as páginas e seus olhos, traidores, borraram a tinta. Amassou o papel com a força da impotência do que “não há mais nada a fazer”. Por que chorar? Não as arrancou ou rasgou, apenas virou a página para escrever-se de novo. Para dar e receber nova chance. Carta branca. Folha branca de recomeçar. E de recomeço em recomeço conheceu e foi conhecida no balé das folhas e dos dias, em seu interior. Sua alma mesclou-se ao branco do porvir que nas cores intensas do que foi e na sensível aquarela do que agora é, misturou-se e bailou sob imagens e sons, cheiros e sensações que a caneta, velha companheira, teimava registrar.
E viveu virando páginas. Uma a uma se iam às páginas bailarinas. O movimento estúpido lhe era mesmo essencial. E quando, então, acabaram as folhas brancas do seu inseparável “caderno de contar os dias”, o fechou, carinhosamente, para, sorrindo, sob as asas dos anjos e sob o canto das Musas, tornar a escrever num outro lugar.
Adriana Kairos
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009
CONVITE
Isto não é fantástico!? Aí está CLARABÓIA, o meu livro de estréia. Uma coletânea de poesias e mini-contos em que, dentre outros temas, tento retratar o olhar dos marginalizados de uma maneira poética e reflexiva. Chic no “úrtimo”, bem!!!
Ah! E como sou muuuuuuuiiiiito chic. Rsrs Claro que vai rolar lançamento. O evento acontecerá no próximo dia 7 de novembro, das 11h às 16h. Logo ali, no Centro Cultural Euclides da Cunha (ou Biblioteca do Cocotá, para os mais íntimos), no bairro do Cocotá (é claro... rsrs) – Ilha do Governador- RJ.
O endereço é: Praça Danaides s/n° ao lado do Parque Manuel Bandeira próximo as Barcas. Este dia de autógrafos promete! E eu garanto: haverá livros para todos! rsrs Isto não é fantástico!?
Milhões de beijos!!!
Adriana Kairos
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