domingo, 8 de fevereiro de 2009

Eu conto carneirinhos


Eu conto carneirinhos




Gosto de sonhar. Penso que os sonhos são passeios da alma. Sabe, quando queremos espairecer. Sair por aí. Distrair.

Só que os sonhos fazem viagens bem mais empolgantes. Viajam pelas lembranças, exploram o desconhecido, visitam até o que tememos e nos assustam com terríveis pesadelos. Mas são só pesadelos.

Revemos amigos, outros bem mais queridos e encontramos até gente nova. Sim!!! Acredito nisso. Sabe quando vemos alguém pela primeira vez e dizemos: "Eu não te conheço de algum lugar?" Sei lá, mas eu acho que é lá das voltinhas dos sonhos, que já o vimos antes.

Por isso é que gosto quando a noite chega. E espero ansiosa a hora de dormir, só pra saber a surpresa que terei. Que passeio farei, embalada em canções antigas de ninar. Quem sabe haja caminhos de jujubas e rios de refrigerantes, laguinhos de chocolate com patinhos de bombom. Sei lá... Às vezes a grande viajem é refugiar-se apenas no inimaginável.

Não sou mística ou qualquer outra coisa. Nem gosto de religião. Só quero compartilhar os meus humildes pensamentos. E convidar a sua alma a pôr o pé na estrada te lembrando o quanto é bom sonhar.



Adriana Kairos

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Meu sossego



Meu sossego



Há um lugar sossegado em mim, onde me escondo por alguns longos segundos. Não ouço a mim nem a ninguém; só o silêncio de minhas canções como mantras. Onde me escondo sem desaparecer do mundo. Meu abrigo, meu esconderijo, meu canto, por alguns eternos segundos. Mantendo-me incansável na lida, no vai e vem desenfreado do nosso tempo. Sem parar de correr descanso num refúgio insólito só meu.

Lá sempre tem o calor do sol e o cheiro do mar; ainda que frio aqui fora. Brisa morna e ondas a levar todas as preocupações embora.

Há um lugar sossegado em mim, quando fecho os meus olhos por alguns preciosos segundos. Quando tão somente me permito nada ouvir; nada me invadir. Respiro devagar e profundo. Em meu sossego me refaço do mundo. Meu interior, meu sagrado. Em meu íntimo casebre encantado.




Adriana Kairos

"Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconscientes, eu antes não sabia que sabia."

Clarice Lispector