sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A minha língua




A minha língua



A minha língua

Lambe

A borda direita da folha

De onde palavras suicidas se atiram

Estúpidas,

Não morrem

Partem-se em dois

E sangram em minha língua

Versos insuficientes

Boca aberta

Caneta em punho

Precipitam-se vocábulos

De minha mente

Doente

Ao abismo branco

Infinito

De uma folha de papel

Vexada

Sangrada

Lambida

De palavras vãs

Carentes de ti.




Adriana Kairos

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

VERMELHA


Vermelha



Hoje amanheci mais vermelha do que sempre.
Apesar do rosa estar na moda
Esta manhã, um sentimento encarnado marcou
Meus pulmões e meu ânimo.

Confesso que também tive medo
Cheguei até a desacreditar
Intuição X senso comum

Muito está por vir, eu sei
Alegrias e decepções também
Como não?

Mas, hoje, primeiro de janeiro de 2011
Ouvi de uma irmã de condição dizer
“Sim, a mulher pode!”
Por algum motivo, acreditei

Inspirei esperança
Enchi-me de coragem
Amolei minha foice
Tomei meu martelo
Ergui os punhos...
A luta continua, companheiras!



Adriana Kairos

"Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconscientes, eu antes não sabia que sabia."

Clarice Lispector