A minha língua
A minha língua
Lambe
A borda direita da folha
De onde palavras suicidas se atiram
Estúpidas,
Não morrem
Partem-se em dois
E sangram em minha língua
Versos insuficientes
Boca aberta
Caneta em punho
Precipitam-se vocábulos
De minha mente
Doente
Ao abismo branco
Infinito
De uma folha de papel
Vexada
Sangrada
Lambida
De palavras vãs
Carentes de ti.
Adriana Kairos