segunda-feira, 6 de abril de 2009

Onírico


Onírico


Aqui dentro
É mais aprazível
Do que lá fora
Realidades inóspitas
Chamo de lar
Não aqui
Mas lá
Onde (nem) todos vêem
A cada esquina uma Etiópia
Onde se sobrevive de teimoso
Por desespero
Por misericórdia
Só me resta saber de quem?
Contudo, aqui não.
Ah... Não!
“Persistência da memória”
Dali não pintou o aqui
O meu aqui, de mundos afáveis.
Incontáveis, incontáveis, incontáveis...
E de boas fontes para beber
Onde o vento me conduz a viagens
Sem bagagens
Passaportes ou afins.
Onde o tempo derreteu-se num relógio
A vida passa em câmera lenta
“muchaca en la ventana”
Imensos jardins
Infinito anis
Licores e balas
E sonhos em cores e formas
Quase os toco
Quase os toco...
Pergunto-me se não é, aqui, o céu?
Existe o céu?
Ou só a presa que me volve
A presa de “ayer”?
A raia entre o lá e o cá
É o amanhecer
Passei a temer as luzes
Que me afastavam do insólito
Tomei remédios para dormir
Vivo, então, encantada.




Adriana Kairos

Um comentário:

Selma Araújo disse...

Lindo Dri...
Muito criativo!
Parabéns!!!

"Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconscientes, eu antes não sabia que sabia."

Clarice Lispector