segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Alento


Alento

Preciso dormir
Para que com meus dedos
Toque a lua
E nela me esconder

Preciso dormir
Antes que amanheça
Antes que reverdeça
A impiedade dos que não me vêm

O dia tem me feito mal
O sol não se mostrou meu amigo
A injustiça invade meus olhos
No claro do dia
E na escuridão da noite também

A fome me atormenta
A qualquer hora do dia
O sol enegrece os olhos dos que passam...
Ninguém me vê...

Preciso dormir
Não sei se é inverno ou verão
Mas o frio das pessoas me congela
Minha boca muda pede pão
Meus olhos gritam por compaixão
E ninguém me vê.

Preciso de um cobertor esta noite
Procurei por um em toda parte
No entanto, para a indiferença
Não existe abrigo
Todos se tornam inimigos
Nessa pirâmide que nem aos pés cheguei

Preciso dormir
Porque neste instante
Nada mais me resta
Meu estômago pede o sono
E a mágica do sonhar
Com um mais justo
Amanhecer
Com um mais justo
Mais que imaginar



Adriana Kairos

4 comentários:

Tatiana disse...

OIIIIII!!! tudo bem ???? lindo poema...profundo !!!
gostei da nova roupagem do blog , ficou mara!!!
Também gostei dos slides que vc colocou , ficou muito legal !!!!

bjussss

Luciana disse...

Oi Adriana!
Estou cumprindo o que prometi!rs
Muito bonito o seu blog. Quanto ao poema,achei belo, forte e de extrema sensibilidade.
Prometo aparecer mais vezes, com um pouco mais de calma.

Bjs
Luciana Pitanga

Paulo Rogério disse...

Às vezes, nem dá vontade mesmo de mais acordar. Teu poema é sofrido, porque muitas vezes você se detém em cenas de que a maioria de nós só quer mesmo e muito distância... É cheio de humanidade. Beijo, amiga!

manuel marques disse...

Grato pela visita,aparece sempre que quiser.

Abraço.

"Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconscientes, eu antes não sabia que sabia."

Clarice Lispector