quarta-feira, 10 de março de 2010

Cartografia N'alma



Cartografia n'alma


Sinto-me livre quando escrevo. Permito-me viajar.
É como se cada folha se tornasse um grande "mapa múndi". Onde cada letra, cada acento, cada ponto, fosse um ponto de uma cidade a se explorar.

Por alguns segundos fecho os olhos e sobrevôo cada cantinho. Sendo escuro ou claro, estando cheio ou vazio, vou lá conferir com prazer cada palavra, traço ou vírgula desse caminho. São diferentes as latitudes e longitudes; as linhas imaginárias são as minhas preferidas. Também há lugares de histórias tão absurdas, mas tão reais, que merecem ser escritas.

E assim, vou planando pelo vento das palavras. Tentando saciar essa íntima vontade de cartografar algumas histórias, que só existem em mim e que às vezes imploram atenção. Querem ser vistas, encontradas, descobertas..."-Contos à vista!!!"

Sigo, então, desbravando o meu inconsciente. Descobrindo em mim, terras antes jamais vistas. Respeitando cada palavra nativo-amigas que encontro por lá.
Abraçando com carinho as pequenas mutiladas.
Sei que cada uma se faz entender a seu modo, cada uma tem sua razão de ser.

Por isso, as transcrevo assim como vêm, "tá". Dá um charme especial ao mapa. Uma liberdade a mais ao vôo.
Cartografia é arte que do mar vem. Mas escrever é pra quem tem um infinito, como o mar, na alma.






Adriana Kairos

7 comentários:

Rui Moio disse...

A leitura deste texto inspirou-me. Foi bom para mim. E, com base nele, enviei a uma amiga o seguinte texto:
"Neste texto lindo há três vocábulos com sentido profundo: Cartografia tem a ver comigo; Poesia tem a ver com nós os dois; e, Infinito tem a ver contigo.
Bjs muitos"

Kalaari disse...

Um texto inspirador, lindo e envolvente.
Gostei muito.Parabéns.
Vera Lucia

Paulo Rogério disse...

Como justificando o batismo de seu blog ou muito mais, a alma da poetisa... Tudo perfeito. Sei o quanto difícil é transcrever o diálogo com o eu-poeta. É uma arte para poucos. Beijão, Adriana!

Gledson Vinícius disse...

Esta dito... É fato! todos temos que ter uma mar n'alma...

Amapola disse...

Boa noite, Adriana.
Se você viaja ao escrever, imagine nós, quando lemos os seus escritos.
Eu, quando estou lendo,também vou catando cada palavra, cada letra, as vírgulas e os pontos, e engulo devagar... para não perder nenhuma sensação.

Beijos.

Selma Araújo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricardo Valente disse...

Lindo, Adriana!
Beijo!

"Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconscientes, eu antes não sabia que sabia."

Clarice Lispector