segunda-feira, 9 de março de 2009

Papel de enfeite e fita amassada


Papel de enfeite e fita amassada



Era um tempo que ela queria. Precisava pensar. Estava confusa. Tuas imagens povoavam sua cabeça, pesavam em seu coração cansado. Já não sabia se te amava, se te odiava. Não sabia se te matava ou se te fazia amor. Não enxergava mais as cores da paixão só via as cinzas de um futuro morto. Ela me disse.

Não entendia o que havia acontecido. Terá sido o tempo que os fizera assim? “Papel de enfeite e fita amassada” – um dia me disse. “Coisas que não guardamos; que não ficam juntas por muito tempo. Só o tempo do entusiasmo. Depois se rasga, se esquece e vai pro lixo”.

Ela perdeu-se estando a seu lado e você fugiu tomado à sua mão. Jamais se encontraram de novo.

Ela chorou por muito tempo sozinha, rios de porquês. Não queria que tivesse assim. Não sabia que o tempo lhe faria tão mal. Nunca supôs que você perderia o controle... Nem que correria daquele jeito...

As flores que hoje lhe trago são em nome dela. Que também sofreu com o tempo. Que depois de você também perdeu o controle. Não era mesmo pra ter sido assim. Mas já que foi, então...
Que descansem em paz...






Adriana Kairos

2 comentários:

Selma Araújo disse...

Que lindo Adriana!!!!
Parabéns!!

Rafaela Dutra disse...

(...) Mas já que foi, então...
Que descansem em paz...

Setimentos que matamos, quando então achamos necesários. Talvez com eles vivos, fique mais difícil caminhar.

Lindoooooooo demais Adri!
Amei... amei e amei!
bjão!

"Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconscientes, eu antes não sabia que sabia."

Clarice Lispector