quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A ladra


A ladra



“Corre!!! Vai!!!”

Gritou a cúmplice desesperada à ladra de pele morena, das pernas grossas. Que não pensou duas vezes e deixando o local do crime em disparada sentia que podia voar a sabor do vento.

Tomada de intensa adrenalina, a malandra, correu levantando poeira do chão depois de por nas mãos os chinelos que certamente lhe atrapalhariam a “performance”.

A carreira não levantou só poeira, ela também açoitou o vento, que fez sambar a sainha de chita branca, evidenciando as cochas castanhas, sonho de muito marmanjo.

Sabia que estava sendo seguida e de propósito soltou os cabelos, libertando os seus formosos cachos negros, talvez para refugiar-se neles depois da loucura que cometera.

Fora a primeira vez que cometera tal crime. O fez e não parecia arrependida. Levava nos lábios carnudos de dentes grandes um sorriso de plena satisfação pelo cumprimento do ato.

Mas insatisfeito mesmo estava a pobre vítima, um rapaz bonito, alto e bem apanhado que não se conformou de ter sido roubado daquele jeito e que após o susto, partiu em perseguição a meliante.

“Corre, corre!!!”

Contudo, já não adiantava mais gritar. O rapaz agarrou a moça e tomou de volta o beijo que lhe foi roubado.





Adriana Kairso

"Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconscientes, eu antes não sabia que sabia."

Clarice Lispector