segunda-feira, 15 de junho de 2009

Exílio


Exílio



Sem suas mãos
Falta-me a estabilidade
Da paixão transpirada
Corrompida
Pela vastidão do amor
Negado pela burrice
Da distância

Meu travesseiro conhece
A escassez da longitude
De seus dedos.
Encharcado
Soluça comigo
Cúmplice mudo da dor.

Sem sua boca
Sinto-me sem voz
Sem motivo para o batom
Sufocada por uma canção
Omitida
Frágil segredo
Guardado para ti

Não há outra voz
Que me entorpeça
Outra qualquer
Só desalenta
Efêmera
Sadista
Plagiam a fantasia
Do desejo de ouvi-lo
Mais uma vez

Não há outro toque
Que me encante
Nem condão que me desperte
Se a tua pele tange
Meu corpo
Ávido
Desesperado
Por um veio que seja
De ti

Desamparei o orgulho
Para rogar que voltes
Abandonei a ilusão
De deslembrar-te.
Apenas uma convicção
Alenta-me
A crença de que
Também não me esqueceu.





Adriana Kairos

6 comentários:

Mariano P. Sousa disse...

Adriana!
Passei aqui no seu espaço!
Fiquei encantado com seus belos poemas!
Virei aqui ouras vezes!
Beijos!

Rafaela Dutra disse...

[..] Sem motivo para o batom.


É incrível a maneira como vc "cria" frases que em poucas palavras, dizem tantas e tantas coisas...

Por isso que eu digo: vc sabe o que faz! Aliás: vc sabe (muito bem) o que escreve; faz isso com maestria!
bjão amiga!


Como sempre, lindo... (Isso já virou clichê... hahahaha! Mas como sempre mesmooo: tá lindo...)

André Silva disse...

Adorei Adriana!
Beijos.

Ragas disse...

Confesso que estou passando a apreciar mais esse "negócio" de poesia.

Parabéns!

Robson Fraga disse...

Simplesmente DEZ!

Robson Fraga disse...

Simplesmente DEZ!

"Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconscientes, eu antes não sabia que sabia."

Clarice Lispector