terça-feira, 19 de maio de 2009

Asas de Ícaro


Asas de Ícaro



Meus sonhos ganharam asas
As de Ícaro lhes serviram bem
E voaram alto;
E lá do alto
De uma altitude segura
Viajavam e me sorriam
Desejos e segredos sob a cera
Que já começava a lamentar
Os segredos eram frágeis
Mas os desejos ambiciosos
De nada se importavam.
Comandavam determinados
As asas tristonhas em direção ao Sol.
Bem alto e cada vez mais longe...
Eu já não os via mais.
Mas quanto mais alto subiam
Mais chorosas ficavam as asas
Que desmanchavam sonhos
Que matavam desejos
E quebravam os segredos
Próximos a luz.
Seu lamento foi à única coisa que vi então.
Em gotas como bolinhas cintilantes
Que mais pareciam pingentes de madre pérola.
Eu as juntei do chão.
Vou derretê-las.
Reconstruí-las...
E terei asas outra vez.



Adriana Kairos

10 comentários:

Bruno R.Ramos disse...

Oi Adriana. Um poema mutio belo e expressivo. É sobretudo uma mensagem autruista e revigorante. Trata do sentimento de capacidade da reconstrução, da auto-elevação, da superação, do sonho.
Fiquei muito impressionado.

Um grande beijo.
Parabéns!
Nova Coletânea
Projeto de inclusão literária
Http://www.novacoletanea.blogspot.com

Dona Poesia disse...

Olá, que bom que vc lê meu blog. lembrei-me de vc; o seu nome me chamou a atenção, pois gosto muito da palavra kairós.
Fiquei curiosa; li sua entrevista, pois vc deixou aqui o lonk, e vi que vc vai lançar um livro em Portugal. Como vc conseguiu entrar em contato com editores portugueses?
pergunto porque aqui no Brasil, sem padrinho a gente não consegue nada nas editoras, a não ser pagar do nosso p´roprio bolso e depois não ser aceita nas boas livrarias, pois também lá a coisa é fechada.
Em todo caso, parabéns. Portugal é a terra dos poetas, agradar por aquelas bandas nao deve ser fácil.

Dona Poesia disse...

desculpe, eu quis escrever link.

Rafaela Dutra disse...

Eu as juntei do chão.
Vou derretê-las.
Reconstruí-las...
E terei asas outra vez.


"Tudo tem começo e meio. O fim só existe para quem não percebe o recomeço." Luiz Gasparetto.

Muito lindo e expressivo o poema... Adorei Adri... Vc cada dia melhor no que faz, aliás: no que escreve!
bjão amiga!

Marcelo disse...

Nas asas de Ícaro houve crença, mas não houve fé e apoiando-se em uma esperança efêmera, a queda era a única certeza. Nada como cair para voar com mais segurança e determinação!

Gostei muito, você foi espetacular.

rafael queres disse...

Voe, querida! Traga novos ares de suas asas, e nos dê fôlego de vida.

(...)

Foi um prazer encontrar você entre tudo que existe nesse monte cibernético de almas perdidas.

Ricardo Esteves disse...

Nossa.. sem palavras, muito bom.. sabe quando da aquela coisa de vc pensar sua vida atraves do que se lê ??
em sentii assim, perto de mais do sol as vezes ;)

Nilson Barcelli disse...

Adorei o seu poema querida amiga. Muito belo e bem escrito.
Bom resto de semana para vc.
Beijo.

Tinablue disse...

Que lindo!!!!!!!!!!!!
Que delicia poder recolher nossas gotinhas transformadas em lindas bolinhas cintilantes e com elas reconstruir nossas asas e voltar a voar...
Quero voar como você......
Beijinhos em seu coração.
Cris

André Silva disse...

Belo poema que nos leva a refletir sobre as gotas que catamos e recriamos aquilo que pensavamos ser impossível recriar.
Parabéns.
Beijos.
André Silva
www.andrerio.net

"Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconscientes, eu antes não sabia que sabia."

Clarice Lispector