domingo, 26 de julho de 2009

1968


1968




Ecos de sons surdos
Lágrimas secas
Salgadas
Amargas
Meus olhos em ataranto
Miscelânea pulsando
Mexendo
Revirando
Em mim
Fecho os olhos
Medo do escuro
Pontos coloridos brilham
Aqui dentro
Aonde guardo a solidão.
Traem-me as mãos
Tiritam
De um frio fino
Não há vozes
Mas gritos me assombram
Escondo-me de mim
Enfiando minha cabeça
Por entre o decote do vestido
Tapo os ouvidos
A tormenta
Atormenta-me o ventre
A voz entala na garganta
Passos se aproximam
Vem em minha direção
Não posso mais
Urino-me em pavor
Uma luz me invade
Desfaleço
Entrego o corpo
A alma é luz...




Adriana Kairos

8 comentários:

Leandro Fonseca disse...

"Pontos coloridos brilham
Aqui dentro
Aonde guardo a solidão."

achei lindo, adri!!! você é foda, amor.

Robson Fraga disse...

Só alguém com alma de poeta para dizer versos de tanta luz. Parabéns. Beijoca!

Robson Fraga disse...

Só alguém com alma de poeta para dizer versos de tanta luz. Parabéns. Visite: http://robsonfraga.blogspot.com Beijoca!

Giovanna Cóppola disse...

A alma é realmente luz. Bela poesia.

Rafael Queres disse...

E que haja, sempre, essa luz.


Bom layout, Adriana. Mais leve e agradável.

beijos.

Mariano P. Sousa disse...

Adriana!
Seu texto lembra-me aqueles tempo de tortura nos idos de 1960!
Mas n o sentido poético ele é belo e bem construido!
BGeijão!

Cartografia n'alma disse...

Sim, Mariano, ele foi inspirado em uma história real de tortura de uma querido amigo, professor e mestre. Essa conotação mais poética se deu pela forma linda a qual ele me descreveu os dias vividos no cárcere.
Bjus pra ti!!!

Rozélia Farias disse...

Olá, visitei seu blog e adorei. Sou professora de Língua Portuguesa e adoro poesias.

"Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconscientes, eu antes não sabia que sabia."

Clarice Lispector