quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Passarinhos



Passarinhos


Meio-dia tem revoada de passarinhos, coisa bonita de se ver. Barulhentos, carregando suas mochilas e cadernos; fazendo firulas a caminho de seus ninhos. Enchendo as ruas da cidade de fantasias, de cores, de vida. Ah... Os passarinhos...

Gosto deles; dos que pulam de uma laje a outra, voando junto às pipas que soltam. Dos que correm descalços pelos becos, fugindo de alguma traquinagem. Gosto dos seus cantos que ecoam nas risadas livres morro a cima, feliz morro a baixo. São lindos, são multicoloridos. Negrinhos de olhos azuis, branquinhos de cabelos sararás. Infinitas são suas cores, infinitas são suas formas, infinitas são as suas belezas; impossíveis de enumerar.

Mas a cada dia torna-se mais curto o viver desses bichinhos. Caçadores munidos de “bodoques” 9mm, uniformizados de morte e camuflados de ordem; sobem os morros a procura de outras aves. Dizem que não querem acertar os passarinhos, mas não raro encontramos um caído pelo chão.

Pobres passarinhos, que se sentam à porta de casa após o café da manhã, que se escondem no banheiro com medo dos barulhos da caça, que vão ou voltam desavisados da escola pra casa; quando os caçadores chegam por lá... Ah passarinhos...

Um dia, um caçador, “sem querer” (foi o que ele disse), acertou um outro tipo de passarinho. Um lindo passarinho de exposição, desses com pedigree. Logo o “homem grande” da cidade classificou o ato como barbárie. “Como pode?” Disse ele e acrescentou: “eu tenho um desses também”.

Mas o que dizer dos passarinhos da Providência, que foram entregues, por caçadores (de “chumbos”), como presentes às aves de rapina de um outro habitat? Restou para as donas dos bichinhos chorarem a maldade de caçadores tão (no mínimo) desastrados. Com pedigree ou sem, a dor as faz igual, mas a justiça não.

Hoje todos conhecem esses fatos, alguns até sabem o nome dos passarinhos. Mas e amanhã? Quando todos já tiverem esquecido? Novos passarinhos poderão ter o mesmo fim! Até quando?









Adriana Kairos

2 comentários:

Rafaela Dutra disse...

Adri!
Obrigadaaaa de verdade por permitir que eu coloque seu blog lá em "minha leitura diária" rs! meu orkut é: http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=ls&uid=4653346460431559919

Add lá ok???
bjão!

PS: amei o texto...
(..)Novos passarinhos poderão ter o mesmo fim! Até quando?

É Adri...Infelizmente enquanto houver humanos "podres" de alma...

Camilla Ribeiro disse...

Voltei para agradecer a paciência e a ajuda que tem me dado. Pode não parecer nada demais para a maioria das pessoas, mas se a gente observar, está cada vez mais difícil encontrar gente prestativa nesse mundo. Esse corre corre capitalista nos deixou insensatos demais... Bom, Adri, - Já vi que a Rafaela te chama assim. Não sei qual o grau de intimidade de vocês, mas espero que não haja problema. (Risos). O texto está maravilhoso! Uns dos mais poéticos e bem ajustados que já pude ver em blogs. Parabéns pela sensibilidade na vida! Pensei até em te pedir pra postar no AdversativOs, já que tem tudo a ver com o que costumo escrever e questionar... caso queira, pode me dizer?! Mais uma vez obrigada por tudo! Já li seu e-mail e respondi!
Muitos beijos e abraços.
Camilla Ribeiro - Mas, pode me chamar de Milla, se preferir! Bj.

"Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconscientes, eu antes não sabia que sabia."

Clarice Lispector