sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Rascunho de poesia


Rascunho de poesia



Sou rascunho de mim mesma
A poesia perfeita que imaginei
E não escrevi.
É que talvez, falte-me ainda:
A lírica, a épica...
Rabisquei...
Mas não ficou como eu quis.
Talvez só sejamos mesmo
Quem podemos ser.
Ser então,
O que esperavam que eu fosse.
Mas nem isso eu sou direito...
Fujo dos padrões.
Odeio o parnasiano.
Não tenho métrica, nem rimas.
Sou poesia em prosa
Ou só uma crônica mal compreendida
Não consigo classificar-me obra.
Passo os dias a rabiscar-me.
Relendo e refazendo meus versos
Como se fosse a primeira vez que os li.
Como se fosse a primeira vez que os poetizei.
Engavetando-me estrofes
Publicando-me em dias grises.
Criptando em mim signos novos.
Significando significantes diferentes
A meus escritos.
Sou a própria hipérbole.
Sou carta escrita a punho
Onde qualquer um pode ver
Que há mais rasuras em mim rascunho
Que perfeição em mim poesia.









Adriana Kairos

3 comentários:

Jonathan Stohler disse...

Nossa que texto lindo!


adorei.

Iara Erminia disse...

Nossa, Adriana!! Adorei esse texto!! Já está publicado??

Perde tempo não ein, vc tem talento!!

ana carolina disse...

Adorei! Muito lindo !

"Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconscientes, eu antes não sabia que sabia."

Clarice Lispector