sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Rascunho de poesia


Rascunho de poesia



Sou rascunho de mim mesma
A poesia perfeita que imaginei
E não escrevi.
É que talvez, falte-me ainda:
A lírica, a épica...
Rabisquei...
Mas não ficou como eu quis.
Talvez só sejamos mesmo
Quem podemos ser.
Ser então,
O que esperavam que eu fosse.
Mas nem isso eu sou direito...
Fujo dos padrões.
Odeio o parnasiano.
Não tenho métrica, nem rimas.
Sou poesia em prosa
Ou só uma crônica mal compreendida
Não consigo classificar-me obra.
Passo os dias a rabiscar-me.
Relendo e refazendo meus versos
Como se fosse a primeira vez que os li.
Como se fosse a primeira vez que os poetizei.
Engavetando-me estrofes
Publicando-me em dias grises.
Criptando em mim signos novos.
Significando significantes diferentes
A meus escritos.
Sou a própria hipérbole.
Sou carta escrita a punho
Onde qualquer um pode ver
Que há mais rasuras em mim rascunho
Que perfeição em mim poesia.









Adriana Kairos

"Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconscientes, eu antes não sabia que sabia."

Clarice Lispector